Pode o amor verdadeiro acontecer com a idade de 14

Petyr Baelish é o herói trágico de ASOIAF

2020.05.09 03:01 altovaliriano Petyr Baelish é o herói trágico de ASOIAF

Texto em inglês: shorturl.at/htxCS
Autor: u/BeautifulMania
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Permita-me começar do começo.
Petyr Baelish nasceu em 268 dC, tendo 27 anos no início da A Guerra dos Tronos.
Seu pai lutou ao lado de Hoster Tully na guerra dos Reis das Nove Moedas, e a amizade deles deu a Petyr a chance de ser promovido por uma grande casa depois que ele nasceu.
A lembrança mais antiga que vemos de Petyr é quando as jovens Catelyn e Lysa lhe serviram tortas de lama, as quais ele comeu tanto que ficou doente por uma semana. Isso mostra o quão jovem ele era quando foi enviado para Correrrio, e é muito provável que suas primeiras lembranças conscientes tenham ocorrido em Correrrio.
Ele era jovem demais para perceber as diferenças entre ele e seus irmãos de criação e entender algo de hierarquia social. Ele cresceu ao lado de Cat, Lysa e Edmure como iguais.
Os Tully eram sua família e Correrrio era sua casa.
Vemos o quão influente a criação foi no relacionamento de Ned e Robert. Eles estavam mais próximos um do outro do que seus irmãos verdadeiros, e os dois encaravam Jon Arryn como pai.
Hoster era uma figura paterna para Petyr, e ele foi criado pelas palavras Família, Dever e Honra. Ele cresceu em um castelo idealizado, sonhando com cavaleiros das canções e amor verdadeiro, muito parecido com Sansa.
Até Peixe Negro era como um tio:
E no entanto, durante todos os anos de infância e juventude, foi Brynden, o Peixe Negro, que os filhos de Hoster procuraram com suas lágrimas e suas histórias, quando o pai estava muito ocupado ou a mãe doente demais. Catelyn, Lysa, Edmure… e, sim, até mesmo Petyr Baelish, o protegido do pai deles… Escutara-os a todos pacientemente, tal como a escutava agora, rindo de seus triunfos e solidarizando-se com seus infantis infortúnios.
(AGOT, Catelyn VI)
Quando ele e os Tully ficaram mais velhos, no entanto, as diferenças entre acabaram sendo evidentes.
Petyr, que veio do menor dos Dedos do Vale, ganhou o apelido de Mindinho, um lembrete constante de suas origens humildes, propriedades pobres e nascimento baixo.
No entanto, ele aspirava ser um Tully, como foi criado para ser. Ele era idealista e amoroso, e, apesar do apelido, acreditava que poderia superar seu baixo nascimento. Não era como se ele tivesse escolhido nascer filho de um senhor pobre. O que tornava um homem melhor do que outro, simplesmente por nascer de uma casa diferente? Aos seus olhos, nada.
Eventualmente, à medida que as crianças cresceram, as coisas começaram a mudar. Ele, Cat e Lysa brincavam de beijar, como crianças curiosas costumam fazer, e Petyr acabou desenvolvendo sentimentos por sua irmã adotiva, Catelyn Tully.
Ele se apaixonou por ela e, mais tarde, quando os senhores Bracken e Blackwood vieram visitar Correrrio, ele e Cat passaram a noite dançando. Petyr e Edmure ficaram bêbados naquela mesma noite e ele tentou beijar Cat. Quando ela rejeitou seus avanços, vemos como ele ficou arrasado aqui:
e Petyr tentou beijar a sua mãe, mas ela o afastou. Riu dele. Ele pareceu tão magoado que eu achei que o meu coração fosse estourar, e depois bebeu até perder os sentidos em cima da mesa. Tio Brynden levou-o para a cama antes que meu pai o encontrasse naquele estado.
(ASOS, Sansa VII)
Foi quando ele foi estuprado por sua outra irmã adotiva, Lysa Tully. Ele foi arrastado para a cama, bêbado demais para andar, muito menos para dar consentimento. Lysa então entrou em seu quarto e o confortou. Um jovem Petyr, em sua confusão bêbada, acreditava que ela era Cat e confessou seu amor por ela.
Lysa acabou engravidando desse encontro, algo que abordarei um pouco mais adiante.
Alguns meses depois, quando Petyr tinha apenas 14 anos, ele descobriu que Cat se casaria com Brandon Stark, de 20 anos.
Agora, tente imaginar as coisas da perspectiva de Petyr. Ele ama Catelyn, e devido ao seu encontro bêbado com Lysa, crendo que ela era Cat, acreditava que ela também o ama. Agora aqui vem este homem mais velho do Norte selvagem, conhecido como o lobo selvagem de sangue quente, para roubar Cat contra sua vontade. Foi um casamento arranjado, e até sabemos que Catelyn não amava Brandon, mas estava simplesmente cumprindo seu dever.
Bem, Petyr foi criado pelas palavras Família, Dever e Honra. A família vem antes do dever, e Cat não era apenas sua família, mas a família que ele acreditava erroneamente que o amava como ele a amava. Ele acreditava que tirara a virgindade de Cat e, portanto, tinha que proteger sua honra.
Então, ele fez o que achava certo e desafiou Brandon - apesar da grande diferença de idade e da capacidade física - a um duelo tanto por Cat, quanto por ele mesmo.
Antes do duelo, Petyr pediu a Cat seu favor, ainda acreditando que ela o amava. Como sabemos, ela o recusou e deu a Brandon, pois era seu dever. E Edmure, o garoto com quem havia sido criado como irmão, se ofereceu para ser o escudeiro de Brandon. Dois de seus familiares mais próximos, a quem ele amava, escolheram um estranho a ele, e ainda assim ele lutou.
Aquela luta terminara quase tão depressa como começara. Brandon era um homem-feito, e empurrou Mindinho ao longo de toda a muralha e pela escada da água abaixo, fazendo chover aço sobre ele a cada passo, até deixá-lo cambaleando e sangrando de uma dúzia de ferimentos. “Renda-se!”, ele gritou, mais de uma vez, mas Petyr limitara-se a balançar a cabeça e continuou lutando, carrancudo. Quando o rio já lhes batia nos tornozelos, Brandon finalmente acabou com a luta, com um golpe brutal dado por trás que cortou a malha e o couro de Petyr e se enterrou na carne mole sob suas costelas, tão profundamente que Catelyn teve certeza de que a ferida era mortal. Ele a olhara ao cair e murmurara “Cat”, enquanto o sangue vermelho vivo brotava por entre os dedos recobertos de cota de malha. Catelyn julgara que tivesse esquecido aquilo.
(AGOT, Catelyn VII)
Apesar de ter sido espancado quase até a morte, Petyr nunca desistiu de tentar salvar a mulher que amava. Ele era idealista e sonhador, novamente, exatamente como Sansa.
Esse duelo foi a última vez que ele viu o rosto de Cat (até o começo da história dos livros). Ele enviou uma carta para ela depois, mas ela apenas a queimou sem ler.
Ele ficou tão machucado que não podia andar nem montar a cavalo, e, mesmo assim, o homem que ele via como pai o expulsou de sua casa em uma ninhada liteira antes mesmo de estar completamente curado.
Mas o duelo foi realmente a razão disso?
Gostaria de passar a vida naquela costa desolada, rodeada de mulheres porcas e cocozinhos de ovelha? Era isso que meu pai queria para Petyr. Todo mundo pensou que foi por causa daquele estúpido duelo com Brandon Stark, mas não é verdade.
(ASOS, Sansa VII)
Hoster descobriu a gravidez e providenciou o aborto da criança.
O pai disse que eu devia agradecer aos deuses por um senhor tão grande como Jon Arryn estar disposto a me aceitar manchada, mas eu sabia que era só por causa das espadas. Tinha de me casar com Jon, senão meu pai iria me expulsar como fez com o irmão, mas era a Petyr que eu estava destinada. Estou lhe contando isso tudo para que compreenda como nos amamos um ao outro, quanto tempo sofremos e sonhamos um com o outro. Fizemos juntos um bebê, um precioso bebezinho. – Lysa encostou as mãos na barriga, como se a criança ainda estivesse ali. – Quando o roubaram de mim, prometi a mim mesma que nunca deixaria que voltasse a acontecer.
(ASOS, Sansa VII)
Petyr perdeu sua família e sua casa por engravidar Lysa, depois que ela o estuprou.
De uma só vez, enquanto estava à beira da morte, Petyr perdeu a mulher que amava, sua irmã adotiva, seu tio adotivo, foi traído por seu irmão adotivo, foi expulso de sua casa pelo homem que via como pai. Ele perdeu tudo o que já havia conhecido ou amado. E por que? Por tentar fazer o que ele achava certo e por seguir os ideais com os quais foi criado como Tully.
Todo mundo acredita que seus problemas decorrem de seu amor não correspondido a Cat, mas é muito mais profundo do que isso. Ele perdeu tudo e foi banido do único lugar ao qual sentia que pertencia.
Essa perda devastadora do mundo acaba transformando o Petyr idealista em Mindinho, mas Mindinho é uma máscara necessária.
Petyr Baelish é um herói. Sua história é o conto clássico do oprimido lutando contra a elite corrupta. Um garoto pobre e humilde, pequeno em estatura e desprezado a vida inteira. O amor de sua vida foi arracando dele contra seus desejos por um homem mais poderoso e rico. Um homem que pertencia a uma casa selvagem do norte que detém o domínio de mais de dois terços de Westeros.
Depois que ele testemunha a natureza feia da cultura Westerosi e o sistema que a governa, o jovem Petyr Baelish decide minar e destruir o sistema social distorcido que favorece o nascimento e a crueldade acima do mérito e da bondade.
Através de muito trabalho e planejamento cuidadoso, ele sobe a escada social passo a passo, enfrentando uma elite de classes mais altas muito mais afortunada do que ele.
Uma verdadeira réplica de Davi vs. Golias.
Petyr Baelish, como o clássico herói dos contos de fadas, acaba por acabar com o malvado rei Joffrey.
O próprio Joffrey é uma pura manifestação de quão falho é realmente o sistema Westerosi. Ele representa tudo o que Petyr Baelish despreza. Ele era uma criança cruel e incompetente, mas foi colocado no comando de todo o reino simplesmente por ser seu "direito de nascença".
Enquanto haja um sistema que permita que isso aconteça, o reino nunca poderá realmente prosperar. Um líder deve ser alguém que conquiste sua posição, não alguém que simplesmente tenha o direito a ela.
E assim todo o sistema deve ser destruído e reconstruído.
Esse fardo é pesado, mas alguém precisa dar um passo à frente e suportá-lo. Alguém tem que mudar a maneira como as coisas são, porque simplesmente não podem continuar como estão. Será difícil, haverá sacrifício, inocentes sofrerão no processo, e o homem que carrega esse fardo pode ter que abrir mão de sua própria alma para seguir em frente, mas esse é o preço de um mundo melhor, e Petyr Baelish está pagando. Para todos nós.
Petyr Baelish é o Proxeneta Que Foi Prometido e o verdadeiro herói de As Crônicas de Gelo e Fogo.
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2019.11.07 03:25 Mustafasustenido Completei 30 anos, virei mago e isso me abalou profundamente

Caros colegas redditors.
Buscarei a melhor forma de contar essa história aqui e farei um TL;DR no fim, mas tentarei não deixá-la massiva.
Então... venho de uma família classe média alta onde o que mais tive foi amor e carinho.
Em minha adolescência viajei bastante pelo mundo com minha família, estudei em uma escola excelente, fiz muitos amigos (alguns hoje são meus irmãos de vida) e posso dizer que foi o melhor período de minha vida.
Porém nunca consegui me relacionar com nenhuma mulher. Terminei o ensino médio sem nunca ter dado um beijo. Só tendo encostado na mão de uma menina 1x e passando por dezenas de rejeições (perdi as contas da quantidade de vezes que me apaixonei e não fui correspondido).
Sei que isso, em partes, se explica pelo fato de eu ter sido o ser humano mais magro (com saúde) que já conheci. Sem entrar em muitos detalhes meu IMC era por volta 13, eu era literalmente só o osso. Mais de 1,80m e menos de 50 kg (muito tempo depois descobri que é simplesmente a genética, mesmo malhando existe uma barreira pra meu peso e cada segundo de sedentarismo me faz emagrecer), exames perfeitos. No fim da adolescência entrei pra academia e consegui um corpo magro normal, porém o estrago na minha autoestima já estava feito (apesar de eu ter convicção que a qualquer momento, naturalmente, as coisas aconteceriam e eu acharia alguma menina pra me relacionar).
Passei em uma das melhores faculdades do país, no curso que eu queria, saí de casa pra morar sozinho e estudar, tinha tudo pra minha vida continuar as mil maravilhas, mas encontrei meu primeiro problema. O local de estudo só tinha homens e, como eu não era muito de sair, me bateu um grande desespero de continuar BV por muito tempo, já que não teria contato com mulheres... Enfim, uma depressão apareceu e fiquei quase 2 anos praticamente na rotina casa-faculdade-casa (além de minha família ter colocado quase uma babá em minha casa, pra que eu pudesse ficar mais relaxado). Foi com sobras o pior período de minha vida, em momentos de crise não conseguia comer praticamente nada, em momentos normais eu tinha que empurrar cada refeição. Voltei pra um estado de muita magreza (IMC 14,5), parei de fazer atividades físicas... minha família percebia pouco porque, além da distância, meu desempenho continuou excelente. Meus amigos de infância estavam em outras cidades e meus amigos da faculdade não pareciam notar nada (até porque já me conheceram nesse estado).
Consegui começar a superar essa situação depois de um grave problema de saúde na família. Entendi que nada do que eu sentia se justificava com tanto sofrimento que eu estava vendo daquele ente querido próximo a partir. Tanto que, depois da sua morte meus pensamentos voltaram a funcionar quase que normalmente (algumas recaídas de vez em quando) e voltei a ter aquela certeza adolescente que a qualquer momento naturalmente eu ia encontrar uma parceira.
Resumindo bastante, terminei a faculdade e comecei a trabalhar numa das maiores empresas do país, em uma cidade média do Brasil. Em pouco tempo eu assumi uma função de gestão e hoje estou quase no topo da carreira. Além disso dou palestras periodicamente para centenas de pessoas e ministro um curso noturno na área em que sou referência. Minha remuneração é o equivalente a 1 carro popular a cada 2 meses.
Ah... não possuo redes sociais
O que vou falar agora pode ficar parecendo querer me "gabar", mas é só pra enaltecer a gravidade da situação e o quanto tudo pesa em mim.
Meu modelo de gestão virou referência na empresa (e no mercado em geral), por criar uma equipe "família" (tenho muita facilidade em analisar perfis de pessoas e criar ambientes de trabalho que funcionam de maneira leve), os funcionários da empresa simplesmente me vangloriam pela forma como eu levo as coisas e resolvo as situações. Um dia desses um antigo auxiliar de serviços gerais (o qual sempre incentivei [verbalmente e financeiramente] a terminar o curso que estava fazendo) que conseguiu vaga de assistente administrativo em outra empresa veio pessoalmente me agradecer (até uma lembrança me deu, que guardo com bastante carinho) por conta dos ensinamentos que passei pra ele, que, segundo o mesmo, "foram de grande importância para o crescimento na carreira dele".
Dou palestra pra centenas de pessoas por mês, pra falar sobre a área que domino e está em ascensão em todo o mundo. As palestras tem sido um sucesso, e a plateia aumenta a cada ciclo. Sempre tive muita facilidade pra falar (e prender a atenção das pessoas) em público.
Minhas aulas noturnas também correm de maneira bastante positiva. Sempre tive prazer em ensinar e ver o aprendizado de cada estudante (principalmente os que mais tem dificuldades) me dá uma sensação de dever cumprido muito grande.
Além disso tudo sou multi-instrumentista. A música é parte de mim e sempre quis compartilhar com o máximo de pessoas possível. Dessa forma, sou um dos fundadores (e professor) de um projeto comunitário com objetivo de transformar a vida das pessoas de uma maneira efetiva.
Dito isso, volto pra o ponto do desabafo do tópico.
Completei 30 anos, sou BV e, obviamente, virgem e isso vem me destruindo a cada dia que passa. Todas as pessoas próximas a mim já tem família, ou pelo menos namoradas sérias/noivas e eu mal encostei na mão de uma mulher.
Analisando friamente (uma das minhas maiores virtudes são as autocríticas) sou um homem nota 7 de rosto (sei que nos achamos mais bonito do que o que somos, mas já descontei uns pontos, risos) e 3 de corpo. (recentemente estava melhor de corpo mas ansiedade que venho sentindo nos últimos meses vem me corroendo, e tenho total consciência que não posso por a desculpa dos meus insucessos integralmente no meu corpo)
Ninguém sabe que sou BV e meus dois amigos mais próximos sabem que sou virgem.
Mensalmente recebo a sugestão de procurar uma prostituta, mas meu EU me diz que isso seria a maior prova que sou incapaz de conseguir um primeiro beijo com uma moça que gostasse de mim de verdade (e nem sei se é recomendado beijar prostitutas, risos).
Meus amigos já tentaram me "armar" com conhecidas em festas, mas nas duas vezes que isso aconteceu notei que as moças não queriam e nem tentei forçar a barra. Acabei saindo das situações muito pior do que antes, sentindo a rejeição na pele mais uma vez. Sabe aquela facilidade pra falar em público? Isso desaparece integralmente em contatos sociais diretos com muitas pessoas do sexo feminino (principalmente em festas, que nunca gostei e hoje em dia mal vou, a não ser as do trabalho ou quando faço parte da banda). Na verdade ir em festas no geral me cansa MUITO, vou uma vez por ano, depois de muita insistência dos amigos, porque sei que vou ficar lá 5-6h com cara de paisagem, sem despertar o interesse de nenhuma mulher random por conta de não conseguir ter a mínima postura e não ter um corpo tão legal pra gerar interesse numa numa festa.
Tenho total convicção que, se eu fosse uma mulher, jamais pegaria um cara inibido como eu num ambiente de festa, eu simplesmente me reduzo a um pedacinho de nada, sei que isso é muito por conta da baixa autoestima devido ao meu corpo e às rejeições femininas que sofri na adolescência.
Minha rotina hoje em dia se resume basicamente a:
Trabalhar de segunda à sexta o dia todo (e noite), tento ler algo pra relaxar;
Sexta à noite (pelo menos a cada 15 dias) saio com meus amigos (e suas esposas) pra um barzinho;
Sábado trabalho mais um pouco, assisto futebol e vou dar aula de música para o pessoal no projeto;
Domingo passo o dia feliz com minha família, à noite vou à missa pra relaxar um pouco o espírito e me preparar para a semana.
Sinto um pouco de tristeza principalmente ao escrever que passo o "domingo feliz" com minha família, com um toque de desdém. Porque realmente tinha tudo pra ser algo perfeito, mas meu EU interno já passa cada minuto, em cada uma dessas atividades, pensando no quanto de vida eu perdi por chegar aos 30 anos sem ter me relacionado com uma mulher e saber que esse tempo não volta atrás nunca.
Saber que jamais vou ter uma namoradinha aos 15 anos, conhecer aos poucos e sem maiores pressões como um relacionamento funciona. Ir de mãos dadas ao shopping, assistir um filme, trocar palavras, olhares... Cada vez que penso nisso parece que uma parte de mim fica pra trás, não consigo exprimir com palavras o vazio que isso me faz sentir.
O estopim para que eu resolvesse desabafar e (com fé em Deus) procurar ajuda profissional foi o seguinte:
A empresa é composta majoritariamente por homens e mulheres de mais idade, mas possui algumas estagiárias e o pessoal sempre me fala na resenha (não sei até que ponto é resenha [na verdade eu sei que não é resenha]) que elas fazem de tudo pra se envolverem comigo (lembra aquela história de que sou bom pra traçar perfis de pessoas e montar equipes? Pois é, quando o assunto é relacionamento com mulheres eu não sei interpretar os sinais mais básicos). Obviamente eu jamais me envolveria com uma estagiária (até mesmo uma ex-estagiária), por razões profissionais, mas já recebi muitos "convites" via Whatsapp, que acabo levando na brincadeira pra não queimar minha reputação.
Enfim, recentemente chegou o ponto que resolvi que meu psicológico era mais importante do que meu medo de "me queimar" e comecei a conversar com uma estagiária (10 anos mais nova e de família humilde[claro que não ligo pra isso, só estou dizendo aqui pra que você me ajudem a interpretar a situação depois]) que já estava terminando o contrato e ia ser efetivada em outra cidade. A iniciativa foi minha (e isso me fez ter ainda mais vontade de que desse certo), mas, mesmo sendo um poste, eu sempre notei a forma que ela me olhava, sorria e nas conversas que tivemos nossas ideias se batiam muito, além de ela me atrair fisicamente e ser bastante inteligente.
Começamos a conversar diariamente via Whatsapp (evitávamos contato pessoal por conta do ambiente da empresa). Pouco antes do contrato dela acabar surgiu o momento e falamos mutuamente do que sentíamos, dos problemas que isso podia trazer pra vida profissional, mas acabamos concordando que valeria a pena tentar algo. Um tempo depois resolvi chamá-la pra sair e ela aceitou, mas veio com uma conversa que não era pra eu criar expectativas e que ela "não era fácil" (com outras palavras mas em resumo era isso). Confesso que achei meio estranho, há pouco tempo havíamos nos aberto um para o outro, mas não entendo nada de mulheres mesmo, então vamos seguir a história.
Tive o primeiro encontro da minha vida (sim, aos 30 anos, repito) levei ela pra jantar em um local que não fosse o mais caro da cidade (pensei que ela se sentiria mais confortável caso pudesse pagar o que havia consumido, se desejasse).
Saí de casa bastante nervoso, mas seguindo à risca tudo que os tutoriais on-line tinham me ensinado. Asseado, perfumado, bem vestido (como se eu já não vivesse assim...) e tentando o máximo possível ser simplesmente eu.
Chegamos ao local (um pouco preocupados que algum conhecido nos visse), mas a coisa fluiu tão naturalmente que, aos poucos o nervosismo foi passando. Aproveitamos o momento "livres" e conversamos sobre muita coisa ao longo de quase 3 horas (sem nenhuma forçação de barra, a coisa realmente acontecia de maneira espontânea), falamos um pouco sobre nossas vidas, nossos anseios, falamos mal das pessoas das mesas vizinhas... isso tudo com intensas trocas de olhares. Chegou um ponto que tomei coragem, segurei na mão dela e, pasmem, ela deixou. Fiquei ali de mãos dadas com ela (foi uma das melhores sensações que já tive na vida), trocando carícias e conversando por mais alguns minutos, quando decidi que era hora de sair e tentar algo.
Como já disse, antes do encontro eu estava muito nervoso, mas depois de todo aquele tempo com ela eu percebi que as coisas realmente iam acontecer de forma bastante natural.
Saí do restaurante abraçado com ela, fomos em direção ao carro (estava num local isolado), fiquei de frente com ela, falei 2 palavras e fui em direção ao meu primeiro beijo.
Ela simplesmente se virou e disse "na-não" (foi mais em forma de ruído de negação, mas achei melhor escrever assim), nesse momento não entendi mais nada (teria interpretado algum sinal de forma errada? Deveria insistir?).
Dei um abraço nela falei algumas palavras, tentei novamente e recebi mais uma rejeição.
Não soube o motivo (até agora não sei), mas preferi não insistir, demos um abraço demorado e levei ela pra casa, conversando sobre outras coisas.
Faz pouco tempo que isso aconteceu e ainda trocamos algumas palavras via Whatsapp. O que me deixa tranquilo é que eu pelo menos tirei a bunda da cadeira e tentei. Mas a frustração de mais uma rejeição é algo incomensurável pra mim. Não sei quando terei contato com outra mulher a esse ponto (estatisticamente eu tenho contato, com chances de dar algo, com uma mulher a cada 2 anos, e, é claro, nunca deu certo)
Com relação a esse encontro (eu queria até a opinião dos colegas redditores) eu trabalho com 3 hipóteses:
1 - Ela quer algo, mas não quis se mostrar fácil/interesseira (como as outras estagiárias que mandam mensagens diretas pra mim por Whatsapp) e está esperando outro convite meu para que possamos sair novamente e finalmente ocorra algo;
2 - Ela não quer mais nada por conta de uma das milhares de coisas que podem estar se passando na mente dela;
3 - Isso foi a prova de que meu corpo possui alguma substância não identificada, incolor, inodora e insípida, que cria uma barreira contra mulheres.
Não sei se vale a pena insistir, estou tão frustrado que não consigo ter forças pra um contato mais direto (apesar de sentir muita falta das conversas com ela);
Pra finalizar, meu desespero hoje é tão grande que penso até em fazer uma rede social (coisa que nunca tive) só pra me "amostrar" (algo que é totalmente contra meu perfil). Mostrar meus carros, minha casa na praia, minhas viagens semanais, meus momentos com os amigos, sei lá, qualquer coisa que pudesse gerar alguma curiosidade sobre mim para as mulheres.Mas aí me olho no espelho e percebo que quando chegar a esse ponto eu realmente não estarei mais sendo eu e algo de muito errado (além do que já está se passando) estará acontecendo.
TL;DR: Homem, 30 anos, família perfeita, muitos amigos (alguns verdadeiros irmãos), trabalho dos sonhos, ótima situação financeira, porém BV e virgem.
Fazendo um resumo desde a adolescência:
Comecei a aprender sobre música achando que com isso um relacionamento viria naturalmente (ao menos a música virou uma paixão real em minha vida);
Comecei a fazer academia achando que com isso um relacionamento viria naturalmente;
Comecei a cursar um dos cursos mais concorridos do Brasil achando que com isso um relacionamento viria naturalmente;
Comecei a trabalhar e hoje ganho mais do que 99% da população brasileira achando que com isso um relacionamento viria naturalmente;
E não veio. Hoje não sei mais o que buscar ou a quem recorrer... A ansiedade (ou seria depressão?) está chegando a tal ponto que me vejo totalmente refém de alguns pensamentos que me atrasam bastante. Eu não consigo, por exemplo, passar mais de 15 dias (ou ir pra um lugar distante) longe da minha família/amigos próximos. Começa a bater um desespero (tipo os que eu sentia na depressão quando tinha 20 anos) e começo a pensar que eu poderia estar ali com uma companheira, aproveitando cada segundo. Já desisti de diversas viagens para fora do Brasil por conta disso. Coisa que fazia naturalmente na adolescência.
Sinto que a cada dia a bolha vai aumentando, a ponto de começar a atrapalhar nos meus trabalhos e vida pessoal, viagens a trabalho para fora do estado estão se tornando um sofrimento (as consequências de todos meus medos recaem sobre meu sistema digestivo), acordo à noite desesperado com medo do dia de amanhã, comecei a procrastinar algumas coisas e perder o tesão em diversas situações de prazer do dia a dia (não consigo mais jogar videogame por achar que isso me torna ainda mais virgem e inútil. A própria masturbação se tornou um momento de tristeza. Tocar piano, violino, violão, etc sozinho muitas vezes só me traz dor).
Cada elogio que recebo na empresa, palestras, aulas, crianças no projeto de música, família, amigos, parece aumentar o vazio que sinto.
Gostaria de simplesmente arrumar uma companheira e viver a vida a dois, viajar, compartilhar momentos, beijar, quem sabe, caso a coisa desse certo, ter filhos, criar uma família...

De qualquer forma, me sinto um pouco mais leve por ter passado 2 horas escrevendo e tendo exprimido todos esses sentimentos pela primeira vez (pra o lado de fora de minha cabeça).
Estou pensando em procurar um psicólogo (creio que já devia ter feito isso desde a minha primeira depressão lá nos 20 anos). Como garantir que eu, sendo uma figura conhecida na cidade não terei todas as minhas histórias íntimas divulgadas (sei que psicólogo é uma profissão muito séria, peço até desculpas de antemão caso essa pergunta ofenda alguém, mas uma pessoa má intencionada poderia destruir toda minha reputação externalizando minha intimidade). Na verdade a pergunta é "como escolher um psicólogo?". Caso não dê certo é normal trocar de psicólogo?
Obrigado a todos pela atenção.
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